Marketing jurídico digital: por onde um escritório pequeno começa

CRATON Software7 min de leitura
Um caderno pautado aberto sobre mesa de madeira, com um celular de tela apagada apoiado na página e uma caneta ao lado.

Marketing jurídico é o conjunto de ações que fazem um escritório ser encontrado e escolhido, dentro dos limites que o Código de Ética e o Provimento 205/2021 da OAB impõem à publicidade na advocacia. Para uma banca de uma a três pessoas, sem agência e sem verba de anúncio, existe uma ordem que dá retorno: primeiro o Perfil da Empresa no Google, depois um endereço próprio na internet, depois conteúdo que responda às perguntas que o cliente digita, e só então redes sociais e anúncio. A maior parte dos escritórios faz exatamente o contrário, e é por isso que o esforço não vira cliente.

O que é marketing jurídico, e onde fica o limite da OAB

A expressão assusta mais do que deveria. Marketing jurídico não é propaganda de escritório: é tornar acessível, para quem tem um problema jurídico, a informação de que existe alguém competente para resolvê-lo, e onde encontrar essa pessoa.

A norma da OAB desenha a fronteira com clareza suficiente para trabalhar. Informar é permitido e sempre foi. Captar clientela, mercantilizar a profissão e prometer resultado não são. O Provimento 205/2021 trouxe o marketing de conteúdo para dentro do que a advocacia pode fazer, mantendo a publicidade em tom informativo e discreto.

O detalhe que quase ninguém percebe é que a restrição e a eficácia apontam para o mesmo lugar. Conteúdo informativo, sóbrio e útil é o que a norma autoriza e é também o que o Google recompensa. O escritório que escreve para explicar está simultaneamente dentro da regra e dentro do que funciona; o que escreve para vender costuma estar fora dos dois. O mapa completo do que a norma permite, proíbe e deixa em zona cinzenta merece artigo próprio, e vai ganhar um.

A ordem que dá retorno não é a ordem que quase todo escritório começa

O caminho mais comum é abrir um perfil no Instagram, publicar por três semanas com energia, publicar por mais dois meses sem energia e concluir que marketing jurídico não funciona.

A conclusão é injusta com o método e justa com a sequência. Rede social é o item de maior esforço recorrente e menor durabilidade da lista inteira: exige produção contínua, entrega alcance decrescente e apaga o histórico a cada rolagem de feed. Começar por ela é começar pelo mais caro de manter e pelo que menos acumula.

A ordem que rende é outra:

  1. O Perfil da Empresa no Google, que dá sinal sem exigir produção de conteúdo.
  2. Um endereço próprio, que é onde tudo o que vier depois vai se acumular.
  3. Conteúdo que responda às perguntas que o cliente digita.
  4. Redes sociais e anúncio, nessa ordem, e depois dos três anteriores.

Nada aqui é sobre esforço. É sobre onde o esforço é depositado.

O que rende antes de existir uma linha escrita

O Perfil da Empresa no Google é o primeiro item porque é o único que produz resultado sem produzir conteúdo. Ele responde à busca de maior intenção que existe na advocacia, a de quem procura um advogado agora e perto de onde está.

O trabalho é de preenchimento, não de criação: categoria correta, endereço, horário de atendimento, áreas de atuação descritas em texto, fotos reais do escritório e um responsável verificado. Leva uma tarde. E é a única peça da lista que costuma dar sinal em semanas, não em meses.

As avaliações entram aqui, e entram com cuidado. Elas ajudam muito na decisão de quem está escolhendo, e a leitura correta dentro da ética profissional é tratá-las como prova de reputação, jamais como promessa de resultado. Pedir a um cliente satisfeito que descreva como foi o atendimento é diferente de pedir que ele afirme que ganhou a causa.

Quando a CRATON reativou o próprio perfil, houve movimento mensurável já no primeiro mês, sem que uma única linha de conteúdo tivesse sido escrita. É o item de melhor relação entre esforço e retorno da lista, e é quase sempre o que fica para depois.

Onde a autoridade se acumula, e onde ela evapora

Um artigo publicado no seu domínio continua sendo encontrado meses depois de escrito, e cada texto novo soma autoridade ao mesmo endereço. Um post publicado num feed tem alcance por alguns dias e desaparece. O esforço de escrever os dois é parecido. O que muda é se ele se acumula ou se evapora.

Essa é a razão pela qual o endereço próprio vem antes do conteúdo, e não depois. Publicar bem em terreno alugado é construir o patrimônio de outra pessoa: quem define quem vê, por quanto tempo e sob quais regras é a plataforma. Já tratamos disso em detalhe no artigo sobre site próprio, redes sociais e Jusbrasil.

O ponto para esta ordem é mais simples: sem um lugar seu para onde levar a atenção, todo o trabalho das etapas seguintes é depositado em conta alheia.

A pergunta que o cliente digita vale mais que o assunto que o advogado quer explicar

Aqui está a etapa que separa um site que existe de um site que traz cliente, e ela costuma falhar por um motivo que parece pequeno: o escritório escreve sobre o assunto que domina, com as palavras que usa entre colegas.

A CRATON mediu isso, termo a termo, para descobrir o que o advogado de fato digita quando procura ajuda para aparecer. O resultado contraria o vocabulário que o próprio mercado usa. A expressão "marketing jurídico" tem cerca de dez vezes o volume de busca de "site para advogado", e com dificuldade de concorrência menor. Quem escreve sobre "assessoria jurídica preventiva" está escrevendo sobre algo que ninguém procura com esse nome. A distância entre o termo técnico e o termo digitado é onde a maior parte do conteúdo jurídico se perde.

O ganho de acertar essa pontaria é maior do que parece, e a mecânica só fica visível de dentro. Num site jurídico que a CRATON construiu e mantém, as consultas de um trimestre inteiro eram, na esmagadora maioria, variações de uma única pergunta: a mesma dúvida escrita de dezenas de formas diferentes, com e sem acento, no singular e no plural, com palavras trocadas de lugar. Nenhuma dessas grafias foi planejada, e nenhum plano teria paciência para listá-las. Um artigo bem mirado não ganha uma palavra-chave. Ele ganha a família inteira de variações dela.

Vale registrar o que não explica a diferença, porque é onde a intuição erra. A CRATON mantém dois sites de mesma tecnologia, mesmo autor e idade parecida: um com blog ativo, outro sem. O que tem blog traz várias vezes mais alcance. E o que tem muito mais links de outros sites apontando para ele é justamente o que traz menos. Não foi autoridade comprada, não foi backlink e não foi engenharia. Foi conteúdo respondendo à pergunta certa.

Resta a objeção prática, que é legítima: um escritório pequeno consegue manter isso? Consegue, e há prova disso. Uma advogada cliente da CRATON publica os próprios artigos, do começo ao fim, sem depender de desenvolvedor. A dependência técnica que costuma matar o blog de um escritório é um problema de ferramenta, e problema de ferramenta se resolve na construção do site.

Redes sociais e anúncio: dois papéis que quase todo escritório inverte

As redes sociais não são o começo. São a distribuição do que já existe. Um artigo bem escrito rende três ou quatro publicações, um carrossel, um roteiro de vídeo curto e um texto de LinkedIn. Produz-se uma vez e distribui-se várias, o que é sustentável para quem também advoga. O caminho inverso, produzir conteúdo original de feed toda semana sem nada por trás, não é sustentável para ninguém que trabalhe.

O anúncio é o último por uma razão aritmética. Ele compra atenção e nada mais. Se a atenção comprada chega a um perfil sem conteúdo ou a um site que não responde à dúvida que a pessoa tinha, o dinheiro foi gasto para levar alguém a um lugar que não estava pronto para recebê-lo. Anúncio acelera o que já funciona e não substitui o que não existe.

Quanto tempo cada coisa leva de verdade

A régua honesta, que é o que raramente se recebe por escrito antes de contratar alguém:

  • Perfil da Empresa no Google: uma tarde para preencher, sinal em algumas semanas.
  • Site próprio: de algumas semanas a cerca de um mês para entrar no ar, dependendo do escopo. Ficar bem posicionado leva mais.
  • Conteúdo: de quatro a doze semanas para um artigo estabilizar posição. Antes disso, o número não diz nada, nem para bem nem para mal.
  • Redes sociais: efeito imediato e igualmente efêmero. Serve para lembrança e relacionamento, não para captação por busca.
  • Anúncio: imediato enquanto pago, zero no dia seguinte ao encerramento.

A leitura importante dessa lista é a assimetria. As três primeiras linhas continuam trabalhando depois que você para. As duas últimas param quando você para. Um escritório com tempo curto e verba curta deveria começar exatamente pelas que continuam.

Por onde começar na próxima semana

Se você tem uma tarde: preencha ou reative o Perfil da Empresa no Google, com categoria certa, fotos reais e áreas de atuação em texto.

Se você tem uma semana: escreva a lista das cinco perguntas que os clientes mais fazem na primeira consulta, com as palavras que eles usam, não com as suas. Essa lista é a pauta do seu primeiro ano de conteúdo.

Se você tem um projeto pela frente: garanta que o site seja um lugar onde você consegue publicar sozinho. Blog que depende de terceiro para cada texto é blog que para no segundo mês, e o segundo mês é exatamente onde o resultado começaria.

A CRATON constrói sites de advocacia com essa ordem em mente, e a página de sites para advocacia mostra o que muda entre um site que só existe e um preparado para ser encontrado. Se preferir, comece por uma conversa: quem responde é quem desenvolve.

Perguntas frequentes

Preciso contratar uma agência para fazer marketing jurídico?
Não para começar. As três primeiras etapas da ordem descrita aqui são executáveis por dentro do escritório: preencher o Perfil da Empresa no Google, ter um site próprio onde se consiga publicar sozinho e escrever a partir das perguntas que os clientes já fazem. Agência passa a fazer sentido quando o volume de produção ultrapassa o tempo disponível de quem advoga, e não antes disso.
Advogado pode fazer marketing jurídico sem infringir a ética da OAB?
Pode, dentro de limites definidos. Informar, explicar e educar é permitido; captar clientela, mercantilizar a profissão e prometer resultado não é. O Provimento 205/2021 trata especificamente da publicidade e do marketing de conteúdo na advocacia. Esta é uma orientação geral e não substitui a leitura da norma nem a consulta à seccional, que é quem interpreta casos concretos.
Com que frequência um escritório pequeno precisa publicar?
Um artigo por mês, bem feito, rende mais do que quatro apressados. O que traz resultado na busca é a qualidade da resposta e não o volume: um texto que responde de fato a uma dúvida continua sendo encontrado por anos, enquanto quatro textos rasos competem entre si e não ganham nenhum. Cadência que não se sustenta por doze meses é pior do que uma cadência mais lenta que se sustenta.
Marketing jurídico funciona para escritório de cidade pequena?
Funciona, e com uma vantagem: a concorrência por busca local costuma ser muito menor do que nas capitais. Em cidade pequena o Perfil da Empresa no Google pesa mais do que em qualquer outro lugar, porque a busca por advogado com referência de localidade tem poucos concorrentes bem preenchidos. Já o conteúdo escrito atende a dúvidas que não têm fronteira geográfica e alcança bem além do município.
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